O resultado do primeiro turno, que colocou Lula (PT) atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, provocou uma guinada estratégica no comitê petista. Em busca de reverter a desvantagem, a coordenação da campanha decidiu rever a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), adotando cobranças públicas à corte e apoiando alterações no modelo de escolha dos magistrados.
Mea-culpa e alinhamento do discurso
A nova orientação foi estabelecida pelo núcleo político logo após a divulgação da apuração de domingo (4). Integrantes da cúpula avaliam que as controvérsias associadas a membros do tribunal acabaram sendo transferidas para a conta do Executivo, gerando desgaste desnecessário junto ao eleitorado.
Nos bastidores, aliados fazem uma autocrítica e sustentam que o governo deveria ter marcado posição com maior firmeza diante de condutas do Judiciário. A insatisfação ficou clara durante reunião com correligionários na segunda-feira (5), ocasião em que o chefe do Executivo afirmou que “carrega nas costas a promiscuidade do STF”.
Proposta para alterar indicações
A reação petista também se desdobra em iniciativas concretas. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, indicou em declarações públicas que o presidente planeja abrir mão da prerrogativa exclusiva do chefe do Executivo federal na indicação de novos membros para o tribunal.
A pressão por transformações no tribunal ganhou eco também entre deputados e senadores recém-eleitos pela legenda, que cobram uma postura combativa em relação ao tema na segunda etapa da eleição.
Cobrança por mudanças na corte
Um dos articuladores da nova abordagem é o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT), eleito para a Câmara dos Deputados. Ele preparou uma série de propostas para apresentar diretamente ao presidente nesta quarta-feira (7), tendo as regras do Judiciário como foco central.
“Uma mudança do sistema e uma mudança no Supremo Tribunal Federal. Não dá mais para serem intocáveis, não dá mais pra gente ter alguns poucos ministros ali que estão envolvidos em escândalos de corrupção”, declarou o parlamentar eleito ao justificar a necessidade da medida.
O diagnóstico é compartilhado de forma unânime pelo comando partidário, que enxerga na reformulação das regras do Judiciário um caminho essencial para reposicionar a campanha na reta final da disputa eleitoral.
Fonte: Política - Folha



