O historiador e influenciador digital Jones Manoel, filiado ao PSOL, garantiu uma vaga na Câmara dos Deputados para representar o estado de Pernambuco após obter 249.077 votos no pleito realizado no último domingo (4). Com esse desempenho, ele alcançou a segunda posição entre os mais votados no território pernambucano, ficando atrás apenas de Pedro Campos, do PSB. Na capital, o recifense liderou a preferência do eleitorado com mais de 81 mil sufrágios.
“Superamos as máquinas do PSB e do PSD”, diz.
Com uma base de mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, o criador de conteúdo revelou que se colocou à disposição para integrar a estratégia de comunicação digital da campanha de reeleição de Lula no segundo turno e percorrer o país. O parlamentar eleito avalia que o petista precisa de ajustes urgentes na abordagem para atrair quem não votou na primeira etapa, sugerindo inclusive a incorporação de temas como o passe livre nos transportes públicos.
“Uma das coisas, por exemplo, que eu acho que a campanha poderia adotar é retomar o debate sobre tarifa zero e passe livre. Em todas as capitais desse país, o transporte coletivo é uma tragédia, insuportável.”
Origens e militância na periferia do Recife
Nascido e criado na Favela da Borborema, situada no bairro de Boa Viagem, na zona sul recifense, Jones enfrentou adversidades na infância, incluindo o assassinato de seu pai quando tinha 11 anos. Sua introdução à política ocorreu por meio do rap, influenciado por letras que mencionavam figuras históricas como Malcom X e Che Guevara. A trajetória militante começou na própria comunidade com a criação de um cursinho popular, antes de ingressar no curso de história na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Visão de futuro e pautas para o mandato
Durante a campanha, o recifense apresentou um documento chamado “programa de mandato”, estruturado de maneira similar a propostas de governo executivo. O texto defende pautas como a legalização regulada de substâncias, medidas de desencarceramento, a descriminalização do aborto como questão de saúde pública e o fim do ensino religioso nas escolas públicas.
“A gente fez um debate pedagógico, um debate construtivo com a consciência da classe trabalhadora, mostrando que as mentiras anticomunistas e os medos não tinham sentido”, afirmou.
O deputado eleito também comentou sobre seus planos de longo prazo e a ascensão da esquerda radical.
“Meu desejo e minha vontade é a revolução brasileira. Eu tenho certeza que vou participar dela e estarei construindo os desdobramentos do próximo período que vai desaguar em 2030, e a gente vai, cada vez mais, falar certamente deles depois que acabar o segundo turno.”
Estratégia digital e cobrança política
A visibilidade do influenciador cresceu com sua participação em debates virtuais frente a expoentes da direita, método que ele atribui à dinâmica das plataformas.
“É uma tática de comunicação para chegar em mais pessoas”, justifica, citando a “governança algorítmica das redes sociais, que privilegiam conteúdos de confronto.”
Além dos planos federais, o político cobrou um posicionamento claro da governadora reeleitada de Pernambuco, Raquel Lyra, em relação ao segundo turno presidencial.
“Não declarou posição eleitoral no primeiro turno, como parte de uma tática eleitoral para conseguir votos lulistas e bolsonaristas. Compreensível, mas estamos no segundo turno. A ideia de que em um dos estados mais importantes da federação a governadora reeleita vai ficar em cima do muro envergonha a história política de Pernambuco e o papel que nosso estado tem no cenário nacional.”
O salto para as urnas pelo PSOL ocorre após sua passagem pelo PCB, legenda pela qual concorreu ao governo estadual em 2022 e da qual foi expulso no ano seguinte.
Fonte: Política - Folha



