O programa Caminhos da Reportagem desta segunda-feira coloca em pauta a trajetória da modalidade e os preparativos para o Brasil sediar a primeira Copa do Mundo Feminina da América do Sul em junho de 2027.
Evolução e o peso da história
Enquanto as pioneiras precisavam lidar com falta de salários e até com uma proibição legal que vigorou entre as décadas de 1940 e 1980, o cenário atual conta com competições consolidadas e uma rede profissional estruturada. Apesar do crescimento e de estádios cheios, o esporte ainda enfrenta barreiras como o machismo e a escassez de espaços formativos na várzea.
Vozes que construíram a modalidade
O programa traz depoimentos de atletas, gestoras e especialistas para debater o panorama atual e o futuro das próximas gerações. Márcia Honório, integrante da primeira seleção brasileira em Copas, relembra os sentimentos daquela época:
“Quando você pega um telegrama daquele e se vê convocada, e quando está fora do seu país e ouve o Hino Nacional, é emocionante até hoje. A gente gostava e tinha garra, uma vontade de querer ganhar para chegar ao país e falar assim: ‘ó, agora vocês precisam ajudar o futebol feminino'”.
A lendária ex-jogadora Formiga também compartilha suas memórias sobre a falta de referências no início de sua trajetória:
“Eu passei de Miraíldes, a Mira, da família e dos amigos, para Formiga. E só aí vim entender que não só a Miraíldes jogava futebol, existiam outras mulheres que também passaram o mesmo ou pior, que eu não era a única mulher estranha no mundo. Até então eu me achava um ser humano estranho, por ser a única menina ali que jogava realmente futebol no meio dos meninos”.
Consciência coletiva e o futuro
Para a jornalista Milly Lacombe, a união é o fator transformador dessa história:
“Eu acho que a principal mudança é a ideia de que juntas, conseguimos coisas, sozinha ninguém consegue nada. Então, a ideia de que a luta pela emancipação feminina não se separa da luta pelo futebol feminino. Eu diria que essa consciência de que a gente é classe, é um grupo, de que vamos juntas. Eu acho isso muito bonito no futebol feminino, que tem uma história de amor que o masculino não tem”
Olhando adiante, a treinadora de futebol de várzea Lu Leal resume o desejo coletivo para as atletas em formação:
“Meu maior sonho é ver as atletas que estão batalhando alcançar o objetivo chegar, ganhar e ter oportunidades. É o que elas merecem.”
Com exibição marcada para esta segunda-feira (5), às 23h, a produção detalha as expectativas para o futuro do esporte no país.
Fonte: Agencia Brasil



