A reta final da corrida eleitoral brasileira registra uma movimentação simultânea de eleitores na direção de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O mais recente levantamento do instituto Datafolha aponta que os dois principais candidatos atraíram segmentos estratégicos em busca de fôlego nos dias derradeiros da disputa.
Fatores decisivos na reta final O crescimento de dois pontos percentuais registrado por ambos os candidatos é reflexo direto de estratégias específicas acionadas pelas campanhas, englobando a força da máquina do governo, a identidade religiosa e a memória das eleições passadas.
Faltando poucos dias para o pleito, a pesquisa indicou que 17% dos eleitores ainda podem mudar de voto. Enquanto a preferência espontânea do primeiro turno mostra Lula variando de 36% para 39% e Flávio de 27% para 31%, as simulações de segundo turno colocam o petista com 48% contra 45% do adversário.
Ações do governo impactam a baixa renda A variação positiva obtida pelo atual presidente está concentrada principalmente entre a população de baixa renda, na região Sudeste e entre os eleitores que classificam a gestão federal como regular.
Entre os cidadãos com renda familiar de até dois salários mínimos, o petista avançou quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, embora ainda permaneça sete pontos abaixo do patamar registrado no mesmo período de 2022. No Sudeste, a alta foi de cinco pontos, enquanto o segmento que avalia o governo como regular registrou um crescimento de quatro pontos.
Polarização e a guerra santa O cenário religioso também sofreu alterações significativas captadas pelo instituto, evidenciando uma verdadeira guerra santa na reta final. Os esforços para estreitar laços com o eleitorado católico renderam frutos para o candidato do PT, que ampliou sua vantagem nesse grupo em cinco pontos. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro consolidou seu reduto ao registrar um acréscimo de cinco pontos entre os evangélicos.
O retorno do eleitorado de 2022 Outro destaque do levantamento é o retorno dos eleitores que haviam optado por abstenções ou candidatos alternativos ao longo da disputa, mas que agora decidiram “voltar para casa” e repetir os votos do pleito passado.
O alinhamento cresceu de forma simétrica nos dois campos políticos. Entre os eleitores que apoiaram Lula no segundo turno de 2022, o índice de fidelidade subiu de 78% para 84%. Já entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro no mesmo período, a taxa de intenção de voto em Flávio passou de 73% para 79%, evidenciando a polarização tradicional nos momentos decisivos.
Fonte: Política – Folha













