Previsão de superávit comercial de 2026 cai para US$ 84,4 bilhões
A queda nas projeções do preço do petróleo fez o governo reduzir a previsão para o superávit da balança comercial brasileira em 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. Apesar do corte, o resultado projetado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) ainda representa alta de 24% em relação ao superávit registrado em 2025. Notícias relacionadas: Balança comercial tem superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro. Contas públicas têm déficit de R$ 10 bilhões em agosto. Em setembro, o país registrou saldo positivo de US$ 7,74 bilhões, mais que o dobro do resultado obtido no mesmo mês do ano passado. Nova projeção A revisão da estimativa para 2026 está relacionada principalmente à redução dos preços do petróleo. O barril chegou a atingir US$ 138 em abril, após a entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã, mas recuou posteriormente. Mesmo com a alta na cotação do petróleo nas últimas semanas, o barril do tipo Brent, referência para as negociações internacionais, está em torno de US$ 100. A queda afeta tanto as exportações quanto as importações brasileiras, já que o país vende petróleo bruto ao exterior e também compra derivados. A nova previsão do MDIC considera: Exportações: US$ 382,5 bilhões, contra projeção anterior de US$ 394,4 bilhões; Importações: US$ 298,1 bilhões, contra US$ 304,4 bilhões; Superávit comercial: US$ 84,4 bilhões, contra US$ 90 bilhões. Com a revisão, a estimativa de vendas externas caiu US$ 11,9 bilhões, enquanto a previsão para as compras diminuiu US$ 6,3 bilhões. Ainda assim, as exportações projetadas para 2026 representam crescimento de 9,8% sobre 2025, enquanto as importações devem avançar 6,4%. Segundo maior saldo Caso a projeção seja confirmada, o superávit de 2026 será o segundo maior da série histórica, atrás apenas do resultado registrado em 2023, de US$ 98,9 bilhões. Em 2025, o Brasil encerrou o ano com saldo positivo de US$ 68,1 bilhões. Esta é a segunda revisão da estimativa feita pelo Mdic em 2026. A previsão inicial era de um superávit de US$ 72,1 bilhões, posteriormente elevada para US$ 90 bilhões em julho. Para alcançar o novo resultado projetado, o Brasil precisará acumular um superávit de aproximadamente US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro. O valor é próximo ao registrado no último trimestre de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 21,8 bilhões. Segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, a estimativa está próxima do desempenho observado até setembro. “Estamos prevendo três meses à frente. Então, é natural que esses números se aproximem e tenhamos já um cenário bastante consolidado para o que vai ser o fechamento do ano”, afirmou Brandão. Saldo cresce em setembro A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro, alta de 146,4% em relação aos US$ 3,14 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Foi o maior saldo mensal desde junho, quando o resultado positivo chegou a US$ 9 bilhões. No mês passado, as exportações somaram US$ 34,42 bilhões, avanço de 12,9% na comparação anual. As importações ficaram em US$ 26,68 bilhões, queda de 2,4%. Petróleo impulsiona vendas O crescimento das exportações em setembro foi influenciado principalmente pela alta dos preços dos produtos vendidos ao exterior. Em média, os preços das mercadorias exportadas aumentaram 9,9%, enquanto o volume embarcado cresceu 2,3%. Setembro teve 21 dias úteis, um a menos que no mesmo mês de 2025. Considerando a média diária, as exportações apresentaram crescimento de 18,3%. O petróleo bruto foi um dos principais responsáveis pelo desempenho das vendas externas no mês. As exportações do produto totalizaram US$ 6,49 bilhões, alta de 77,3% em relação a setembro do ano passado.
Flávio busca apoio de Caiado e Lula defende fim da 6×1
O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, esteve em Goiânia nesta terça-feira (6), onde se reuniu com Ronaldo Caiado e acertou o apoio do ex-governador de Goiás no segundo turno. Em Brasília, o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou o dia reunido com a coordenação de campanha e, no início da noite, defendeu o fim da escala de trabalho 6×1. Veja como foi o dia dos candidatos: Flávio Bolsonaro Na capital goiana, Flávio Bolsonaro acertou o apoio de Ronaldo Caiado, ex-adversário na disputa presidencial. No primeiro turno, Caiado foi o quinto colocado entre os presidenciáveis, com 2,18% dos votos válidos. Notícias relacionadas: TSE desmente alegação de fraude na apuração dos votos. TSE: dados sobre comparecimento de eleitores estão em processamento. Eleitor que faltou ao primeiro turno pode votar no segundo. Em seguida, Flávio discursou e afirmou que vai aproveitar a eleição de vários parlamentares de direita para “mudar a Constituição”. “O Brasil me deu um Congresso muito mais à direita do já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição”, disse. Flávio Bolsonaro ainda disse que ele “é um empecilho para o Brasil virar uma Venezuela”. Luiz Inácio Lula da Silva Lula passou o dia em Brasília reunido com sua coordenação de campanha. Já no início da noite, fez uma rápida declaração à imprensa para exaltar a possibilidade de votação, no Senado, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala de trabalho 6×1 e da redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. Ele se disse confiante na aprovação da proposta. “É um desejo muito grande da sociedade brasileira, é preciso dar civilidade ao mundo do trabalho”, disse Lula. Em seguida, questionou se o candidato Flávio Bolsonaro, que atualmente é senador, vai orientar seu partido a votar contra a medida. “Na hora que o Senado começar a votar, a máscara vai começar a cair. A gente vai ver quem quer que o povo tenha uma vida mais digna, que descanse mais, que possa cuidar da família, ou se vai estabelecer essa jornada em que as pessoas só tem um dia para descansar”, avaliou. Nesta terça-feira (6), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou o calendário de deliberação e votação do tema. Ele assegurou que vai cumprir o exato rito regimental exigido para a votação da PEC, que inclui cinco sessões deliberativas antes da votação em primeiro turno da matéria. Na prática, portanto, serão cinco dias debates ao longo desta e da próxima semana, até que a matéria seja votada possivelmente no dia 15 de outubro.
CNJ e BC assinam acordo para disciplinar pagamento de precatórios
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Banco Central assinaram nesta terça-feira (6) acordo para criação de regras mais rígidas para a concessão de créditos de precatórios, títulos de dívida do governo federal. As novas normas pretendem disciplinar a comercialização paralela de precatórios, que ocorre com operações de deságio na compra e venda por empresas, instituições financeiras e escritórios de advocacia. Notícias relacionadas: Dino defende investigação sobre precatórios pagos irregularmente . Fachin defende segurança e transparência na liberação de precatórios. Gilmar cobra medidas de STF e STJ contra irregularidade em precatórios. A proposta foi assinada pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e será colocada em votação no plenário do conselho entre os dias 8 e 15 de outubro. Entre as regras mais importantes, está a obrigatoriedade de escritura pública para validação da transferência de titularidade de créditos perante o Judiciário. O Banco Central será responsável pelas medidas para determinar às instituições reguladas do mercado financeiro a inclusão dos créditos em registros eletrônicos para rastreamento. A proposta também pretende vetar a compra de precatórios por advogados que atuam como patronos de uma causa referente a precatórios e aumentar as exigências para transferências de créditos para entidades beneficentes. O pagamento dos precatórios deverá ser feito ao titular registrado na Justiça e não poderá ser transferido para intermediários. O pagamento ocorrerá por meio de conta bancária informada previamente. Master O caso dos precatórios bilionários veio à tona após uma reportagem do Portal Metrópoles revelar a existência de um contrato de R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). O valor seria pago em caso de sucesso nas causas referentes ao setor sucroalcooleiro. O contrato foi encontrado pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota divulgada à imprensa, o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos declarou que possui contrato formal com o Master para atuar nos processos que envolvem precatórios, mas não recebeu qualquer pagamento “a título de pró-labore ou de êxito”. “O escritório esclarece também que a taxa de êxito acordada com o banco para atuação nos casos de processos envolvendo precatórios foi 5%, patamar inferior ao previsto no CPC e no estatuto da OAB”, completou a banca. O acesso da PF ao celular de Vorcaro também revelou que assessores do ex-banqueiro citaram que a advogada e o desembargador seriam da ‘Turma do KN”, em referência ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Após a divulgação das conversas, o ministro declarou que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem autorizou ninguém a falar em seu nome.
Entenda a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pelo Brasil em 16 gráficos
O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da eleição presidencial, no domingo (4), com 47,03% dos votos válidos, à frente do presidente Lula (PT), que recebeu 45,16%. Separados por 1,87 ponto percentual, os dois voltam a se enfrentar em 25 de outubro. A distribuição dos votos mostra diferenças entre regiões, estados e cidades, além de mudanças em relação ao primeiro turno de 2022, quando a disputa era entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). Lula e Flávio após votar no primeiro turno das eleições gerais neste domingo – Marlene Bergamo e Eduardo Anizelli/Folhapress Os gráficos a seguir detalham onde cada candidato construiu sua votação e como evoluiu o chamado não voto, soma de abstenção, brancos e nulos. Vá até o tópico que deseja ler Flávio vence em quatro regiões, e Lula mantém vantagem no Nordeste Roraima e Piauí dão as maiores votações proporcionais aos candidatos São Paulo e Bahia têm peso na diferença de votos Flávio mantém legado do pai em 26 estados Capitais nem sempre acompanham o resultado dos estados O tamanho do eleitorado muda a aparência do mapa Flávio vence em 714 cidades onde Lula havia liderado Flávio ganha no estado de São Paulo, e Lula vence na capital Flávio vence nos maiores colégios eleitorais do interior paulista Diferenças aparecem também dentro da capital paulista Mais de 33 milhões de eleitores não foram às urnas Brancos e nulos somam 4,77% dos votos para presidente Flávio vence em quatro regiões, e Lula mantém vantagem no Nordeste O petista foi o mais votado no Nordeste, com 63,8% dos votos válidos, ante 30,9% de Flávio. O senador venceu nas outras quatro regiões: Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte. O melhor desempenho regional de Flávio foi no Sul, onde recebeu 60,1%, contra 31,3% do presidente. No Sudeste, que concentra o maior eleitorado do país, o candidato do PL teve 51,4%, e o petista, 39,7%. O mapa interativo abaixo mostra a apuração para presidente por estado e nos 5.571 municípios brasileiros. Roraima e Piauí dão as maiores votações proporcionais aos candidatos Flávio ficou à frente em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula venceu em 12 estados. O senador alcançou seu maior percentual em Roraima, com 71,06% dos votos válidos. O melhor resultado do atual presidente foi no Piauí, com 70,99%. No Amapá, a disputa ficou mais apertada: Lula recebeu 45,71%, e Flávio, 45,67%. São Paulo e Bahia têm peso na diferença de votos O tamanho do eleitorado ajuda a dimensionar o impacto de cada vitória no resultado nacional. Em São Paulo, Flávio teve 3,4 milhões de votos a mais que Lula. Na Bahia, estado mais populoso do Nordeste, o presidente superou o adversário por mais de 3,2 milhões. No gráfico abaixo, o tamanho de cada losango é proporcional ao eleitorado da unidade da federação. A intensidade da cor indica o percentual de votos obtido pelo candidato vencedor. Flávio mantém legado do pai em 26 estados Na comparação entre os primeiros turnos de 2022 e 2026, Flávio teve percentuais superiores aos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos 26 estados. O Distrito Federal foi a única unidade da Federação em que ficou abaixo do pai. O maior avanço ocorreu no Rio Grande do Sul, com 6,8 pontos percentuais a mais. Para Lula, as maiores perdas foram em Goiás, com queda de 8,5 pontos, e no Tocantins, com sete pontos a menos. Somente no Distrito Federal, o petista avançou 1,3 ponto. Capitais nem sempre acompanham o resultado dos estados Flávio venceu em 16 das 27 capitais, e Lula, em 11. São Paulo e Porto Alegre deram mais votos ao presidente, embora os respectivos estados tenham preferido o senador. Entre as capitais, Flávio alcançou seu melhor desempenho em Boa Vista (RR), com 73,38%. Lula teve sua maior votação proporcional em Salvador (BA), com 65,26%. O tamanho do eleitorado muda a aparência do mapa Neste cartograma, cada município aparece como um quadrado proporcional ao número de eleitores. A visualização destaca o peso dos grandes centros urbanos na disputa presidencial. São Paulo, por exemplo, reúne cerca de 9,1 milhões de eleitores. Altamira (PA), que ocupa uma área territorial muito maior, tem cerca de 87 mil. Na capital paulista, Lula terminou à frente de Flávio. Flávio vence em 714 cidades onde Lula havia liderado A Folha identificou que Flávio “tirou” de Lula 714 municípios em que o petista havia sido o mais votado no primeiro turno de 2022. Lula, por sua vez, não tirou nenhum município que deu voto a Jair Bolsonaro na última eleição. Minas Gerais concentrou 178 dessas mudanças, seguido por Rio Grande do Sul, com 134, Paraná, com 91, e São Paulo, com 90. A comparação considera os resultados municipais dos primeiros turnos, com dados das 23h de domingo, quando 99,7% das urnas estavam apuradas. Flávio ganha no estado de São Paulo, e Lula vence na capital No maior colégio eleitoral do país, Flávio recebeu 51,93% dos votos válidos, contra 38,20% de Lula. Na capital paulista, Lula manteve a dianteira, com 46,58%, contra 42,13% de Flávio. Flávio vence nos maiores colégios eleitorais do interior paulista Flávio superou metade dos votos válidos nos quatro maiores colégios eleitorais do interior paulista: Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Ribeirão Preto. Na Grande São Paulo, o senador venceu em Guarulhos, Osasco e Santo André. Lula manteve a liderança em São Bernardo do Campo, seu berço político, com 46,77%, ante 41,83% do adversário. O gráfico reúne as maiores cidades de cada recorte pelo número de eleitores. Diferenças aparecem também dentro da capital paulista Na cidade de São Paulo, Lula manteve força nas periferias e em parte da região central. Seu melhor desempenho foi na zona eleitoral da Bela Vista, com 60,58% dos votos válidos. Flávio ficou à frente em Indianópolis, Santo Amaro, Saúde e Jardim Paulista, no centro-sul da capital, além de partes das zonas leste e norte. O mapa permite consultar a votação por zona eleitoral. A Folha também reúne mapas das zonas eleitorais das demais capitais. Mais de 33 milhões de eleitores não foram às urnas
Veja em quais países Flávio Bolsonaro e Lula tiveram mais votos no exterior
Mais de 300 mil brasileiros que moram fora do país foram às urnas no último domingo (4) escolher um candidato à Presidência. No exterior, diferentemente do Brasil, o presidente Lula (PT) recebeu mais votos do que o senador Flávio Bolsonaro (PL). A disputa foi acirrada e teve uma diferença de cerca de 157 mil votos para Lula, puxada por países na Europa, no Oriente Médio e na Oceania. Flávio Bolsonaro apresentou maior desempenho na Ásia e, principalmente, nas Américas do Norte e Latina —acompanhando a tendência da direita no continente. Nos 101 países com votos, menos de 10% escolheram outros candidatos, anularam voto ou votaram em branco. Outros 32 países tinham eleitores aptos para votação que não compareceram às urnas. Montagem com fotos do presidente Lula (PT) ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) – Pedro Ladeira/Bruno Santos/Folhapress Portugal, Alemanha, França, Reino Unido e Canadá foram os países que mais renderam vantagem a Lula, que saiu na frente em 64 países. Já Estados Unidos, Japão e Paraguai impulsionaram Flávio. Em percentual, o atual presidente se destacou em Cuba (97,74%), Argélia (87,10%), Jordânia (85,77%), Dinamarca (78,94%) e França (78,22%). Na Síria, que teve votação pela primeira vez neste ano, Lula recebeu 89,81% dos votos. Já Flávio obteve maior votação no Paraguai (84,35%), Nepal (84,62%), Ucrânia (82,61%), Guiana (81,13%), Bolívia (75,46%) e Japão (71,69%). A polarização da política mundial também se refletiu nos votos nacionais. Na Palestina, Lula obteve 93,09% da preferência dos eleitores, enquanto em Israel o resultado foi de vitória para Flávio por 74,29%. Confira abaixo como cada país votou nos candidatos ao segundo turno.
Primeiro deputado cassado por fake news vai à Câmara junto com filho
Primeiro parlamentar cassado pela Justiça Eleitoral por espalhar fake news, Fernando Francischini (PL) irá voltar à Câmara dos Deputados em 2027. Ele foi eleito com 53.207 votos no domingo (4), assim como o filho, o deputado federal Felipe Francischini (Pode), que obteve 106.907 votos e conseguiu ser reeleito. Assim, pai e filho estarão na bancada do Paraná, que tem 30 vagas. Embora hoje estejam em partidos diferentes e tenham feito campanhas independentes, ambos são bolsonaristas e romperam com o grupo do atual governador, Ratinho Junior (PSD), para ajudar na campanha do senador Sergio Moro (PL), eleito governador. O ex-deputado federal Fernando Francischini (PL) e o deputado federal Felipe Francischini (Pode), pai e filho – Reprodução/Fernando Francischini no Instagram; Felipe Francischini no Instagram Na Assembleia Legislativa, Moro contará com duas deputadas estaduais ligadas à família Francischini na sua base aliada. A esposa de Fernando, Flávia Francischini (PL), foi reeleita deputada estadual, e Lu Bonatto (Pode), mãe de Felipe Francischini, vai estrear na Assembleia Legislativa. Ela foi eleita com 39.738 votos. Flávia obteve 63.831 votos. Fernando e Flávia fizeram campanhas conjuntas. E Felipe fez a dobradinha com a mãe, Lu Bonatto. Nacionalmente, Fernando Francischini se tornou conhecido como o primeiro parlamentar cassado pelo TSE, no final de 2021, por espalhar fake news. Em 2018, no dia da eleição, ele fez uma live dizendo que duas urnas estavam fraudadas e aparentemente não aceitavam votos no então candidato Jair Bolsonaro, o que não era verdadeiro. Naquele ano de 2018, Francischini ocupava o cargo de deputado federal, mas concorria a um assento na Assembleia Legislativa. Terminou como candidato mais votado na disputa em seu estado, com mais de 400 mil votos. Mas, em 2021, o plenário do TSE o condenou por uso indevido dos meios de comunicação, além de abuso de poder político e de autoridade, e seu mandato na Assembleia Legislativa foi cassado. A inelegibilidade de oito anos de Francischini em razão da condenação começou a contar a partir da data do primeiro turno da eleição de 2018 (7 de outubro), seguindo até esta quarta-feira (7). Pela nova legislação, o que passa a valer para determinar se um candidato pode disputar o pleito é se ele está inelegível ou não na data de diplomação dos candidatos eleitos —que em 2026 deve acontecer até 18 de dezembro. Dobradinhas de sucesso, ou nem tanto Além da família Francischini, outros parlamentares do Paraná, todos filiados a partidos de direita ou do centrão, também fizeram dobradinhas com parentes nestas eleições, algumas repetindo as mesmas configurações de pleitos anteriores. O deputado federal Ricardo Barros (PP) e sua filha, a deputada estadual Maria Victoria (PP), foram reeleitos domingo. Assim como o deputado federal Toninho Wandscheer (PP) e seu filho Alisson Wandscheer (PP), reeleitos para a Câmara e para a Assembleia Legislativa, respectivamente. Filiados ao PL, o deputado federal Vermelho e o deputado estadual Matheus Vermelho, pai e filho, também foram reeleitos. O deputado federal Paulo Litro (União) foi reeleito na Câmara e o deputado estadual Adão Litro (PSD), tio de Paulo, foi reeleito na Assembleia Legislativa. Outras dobradinhas geraram vitórias parciais. A deputada estadual Cristina Silvestri (PP) ficou como suplente na Câmara, mas seu filho Cesar Silvestri (PP), ex-deputado estadual, foi eleito para a Assembleia Legislativa. A deputada estadual Mabel Canto (PP) foi reeleita, mas seu pai, o ex-deputado estadual Jocelito Canto (PP), ficou como suplente na Câmara. A vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) conseguiu se eleger deputada estadual, mas seu marido, o deputado estadual Delegado Tito Xerifão (PL), ficou apenas como suplente na Câmara. O ex-vereador de Curitiba Alexandre Leprevost (Republicanos) ficou como suplente de deputado federal, mas o seu irmão, o deputado estadual Ney Leprevost (Republicanos), foi reeleito. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Carregando… Também há casos em que a dobradinha saiu integralmente derrotada das urnas. O ex-deputado federal Alex Canziani (Avante) não conseguiu se eleger deputado estadual e sua filha, a deputada federal Luísa Canziani (União), ficou apenas como suplente na Câmara. O deputado federal Dilceu Sperafico (PP) ficou como suplente na Câmara e seu filho, Natan Sperafico (PP), como suplente de deputado estadual. Além disso, o casal Boca Aberta (Republicanos), ex-deputado federal, e Mara Boca Aberta (PL), ex-vereadora de Londrina, não se elegeram para a Câmara e para a Assembleia Legislativa, respectivamente.
Centrão se alinha à direita e passa a defender impeachment de ao menos um ministro do STF
Integrantes do centrão aderiram à agenda do PL e passaram a defender o impeachment de um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) para “equilibrar os Poderes” e conter o que consideram ser um uso político de investigações contra parlamentares. O movimento ocorre após partidos de direita crescerem de tamanho no Congresso. A partir dessa reavaliação, senadores do centrão que antes admitiam publicamente voto no impeachment de ministros, mas nos bastidores faziam ressalvas, agora entendem ser necessário articular o afastamento por sobrevivência eleitoral. Parlamentares do grupo que não se posicionaram sobre o tema, por sua vez, agora tendem a vir a público para unir forças aos bolsonaristas. Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF, em sessão do dia 2 de setembro de 2026 – Evaristo Sá/AFP Para a cúpula do centrão, as urnas deram um recado claro de que os eleitores desejam uma contenção nos poderes do Supremo, com uma reforma do Judiciário e a saída de ministros como Alexandre de Moraes. Ignorar essa pressão, dizem, colocaria em risco futuras eleições de parlamentares do grupo, dando espaço para um crescimento ainda maior da direita em cima das vagas deles. Ainda não há consenso sobre como será esta reforma. A perspectiva é de que o debate só ocorra de verdade na próxima legislatura, quando os eleitos tomarem posse em fevereiro. Entre as propostas mais citadas estão a idade mínima de 60 anos para assumir como ministro do STF, tamanho mínimo para partidos poderem recorrer à corte e o fim de “inquéritos do fim do mundo”, como o das fake news. Parte deles também apoia tirar do STF a atribuição de julgar crimes de políticos com prerrogativa de foro. Esses processos passariam a começar nos tribunais regionais federais, com recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). O Supremo serviria apenas como uma corte de recursos contra ilegalidades. Seria uma forma de diminuir a influência dos ministros sobre o Congresso. Leia também Centrão perde espaço para direita na Câmara, mas ainda será decisivo para governo PSD encolhe após opção por Caiado, e Kassab diz: ‘Meu candidato era Tarcísio, todo mundo sabe’ O presidente do STF, Edson Fachin, antecipou-se a esses movimentos nesta terça (6) e se reuniu com os líderes do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), dois dias após o primeiro turno, para tratar de mudanças no Judiciário. O presidente do STF, segundo interlocutores, quer apresentar ainda este ano um projeto de modernização do sistema de Justiça. À petista ele defendeu ser importante que o Ministério da Justiça trate exclusivamente de questões relacionadas ao Judiciário, para acelerar a discussão sobre a reforma, deixando a atuação relativa à segurança pública para uma pasta à parte. O presidente Lula (PT) prometeu fazer essa separação quando for aprovada a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública. A PEC já foi aprovada na Câmara, mas aguarda deliberação do Senado. Teresa Leitão explicou a Fachin que a prioridade imediata do governo é o fim da escala 6×1, e a PEC da Segurança Pública só deve ser analisada após o segundo turno. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Carregando… Na conversa com Marinho, eles falaram sobre os conflitos entre o Judiciário e a oposição. O senador, que deve disputar a presidência do Senado, afirmou que pretende modificar o regimento interno da Casa Legislativa para que o protocolo de pedidos de impeachment de ministros do STF que contarem com o apoio de 49 senadores seja aberto automaticamente, sem precisar de aval da presidência. O Senado terá, a partir de 2027, ao menos 49 dos 81 congressistas que defendem o impeachment de ministros, ainda que com ressalvas, segundo levantamento da Folha. Trinta e cinco deles foram eleitos no domingo (4) e se somarão aos 14 senadores que têm mais quatro anos de mandato e já eram favoráveis. Para aprovar o afastamento de magistrados são necessários 54 votos, ou seja, dois terços da Casa. O principal alvo dos bolsonaristas é Alexandre de Moraes. Relator do processo da trama golpista, ele foi o condutor do julgamento que levou à prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio Dino, porém, também se tornou alvo. Além dos bolsonaristas, ele se tornou malquisto também pelo centrão devido à condução da ação sobre falta de transparência das emendas parlamentares. Saiba quando cada ministro do STF vai se aposentar ic_save Mais Leia Mais Ícone fechar Voltar Ver novamente Voltar Carregando… Os 49 votos são suficientes para aprovar mudanças constitucionais no Senado. As PECs também precisam ser votadas pela Câmara, onde são necessários pelo menos 308 votos, dentre os 513 deputados. O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), afirmou que é a favor de mandatos para os novos ministros do STF. “Sobre o mérito [do que será votado] ainda não dá para assegurar, mas que vai ter uma reforma, vai. Esse foi o recado das urnas”, disse. Ele evitou comentar sobre o impeachment, mas ressaltou que é um processo demorado e não haverá tempo na atual legislatura. “Precisa ver a nova composição.” Para o deputado Ricardo Barros (PR), que é tesoureiro nacional do PP, uma reforma e o impeachment “serão inevitáveis”, principalmente se Flávio Bolsonaro (PL) confirmar o favoritismo para a Presidência. “O que houve não foi o crescimento da direita, foi o crescimento de políticos que estavam na cola do STF”, diz o parlamentar, que é autor de PEC para que a idade mínima dos ministros seja de 65 anos. No Paraná, estado de Barros, o candidato mais votado para deputado federal foi Jeffrey Chiquini (Novo), advogado que se destacou na defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro preso por envolvimento na trama golpista. O Novo ressurgiu com dez deputados e três senadores. O PL será a maior bancada da Câmara e do Senado em mais de 30 anos, puxado por políticos que estão entre os mais votados do país. Cinco políticos do centrão ouvidos pela reportagem dizem que o impeachment de um dos ministros será suficiente como
‘Canetada do TSE foi mortal para Lula e afetou eleições nos estados’, diz marqueteiro de Douglas Ruas
O publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), afirma que a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de alterar regras do debate da TV Globo afetou o resultados das urnas em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de seus aliados nos estados. Ele compara o efeito da decisão judicial à cena da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) com arma em punho nas ruas de São Paulo na véspera do segundo turno da eleição presidencial de 2022. “Acho que a canetada de agora foi a Zambelli de 2022. O [ex-presidente Jair] Bolsonaro creditou à Zambelli, naquela época, o desgaste dele. Só estou juntando as pontas, porque acredito que o cancelamento de debate mexeu num voto que estava acomodado”, afirmou. O publicitário Paulo Vasconcelos foi o responsável pela campanha do presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), ao governo fluminense, que venceu o primeiro turno – Divulgação Ex-integrante da campanha de Ronaldo Caiado (PSD), ele afirma que a força das redes sociais dos candidatos é “um mito que morre nesta eleição”. “O tráfego pago é o segredo das redes sociais. As redes orgânicas você fala para convertido.” O resultado no Rio de Janeiro surpreendeu? A campanha do Rio tem uma tipicidade diferente de outras tantas. Outras figuras estiveram muito atrás e depois ganharam. Essa onda de reta final é difícil dizer de onde veio. Vejo um voto de protesto, impacto dos movimentos de reta final, ausência de debates e a censura feita no debate da Globo. O sr. fala da disputa presidencial. Aquilo repercutiu para tudo quanto é lado. Tem se associado ao presidente um alinhamento mais forte ao Judiciário. E à direita uma oposição mais dura ao Judiciário. Marqueteiramente, o desgaste do Judiciário é uma força da direita. A caneta da juíza dá aquele voto de censura, mudando completamente o que se via em todos os debates históricos, que é, quando o candidato falta, fica lá o púlpito. Para piorar, a Globo cancela o debate. Todo mundo ficou sabendo disso porque o debate da Globo, que não tem a audiência que já teve no passado, é muito simbólico. É como se fosse a final de campeonato. Esse fato político foi a onda. Uma onda não só na presidencial? Primeiro que o Flávio é do Rio. Segundo, tem um bom alinhamento com Douglas. Terceiro que ele terminaria as agendas dele no Rio de Janeiro. Então isso tudo gera a onda, esse voto inconformado de reta final. Afetou também as disputas estaduais? Acho que afetou a todos. O Cleitinho [governador eleito de Minas Gerais], que estava parado em 30 e poucos pontos, subiu. O Douglas ganhou 10 pontos na reta final, e assim sucessivamente. Sergio Moro no Paraná. Eu acho que a canetada de agora foi a Zambelli de 22. É um chiste. Não consigo medir a força de uma nem de outra. O Bolsonaro creditou à Zambelli o desgaste dele. Só estou juntando as pontas, porque acredito que o cancelamento do debate mexeu num voto que estava acomodado, ainda pendente de decisão. Virou um voto de protesto. A canetada da juíza foi mortal para Lula. Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 ic_save Mais Leia Mais Ícone fechar Voltar Ver novamente Voltar Carregando… O cenário é reversível para o Lula? Tudo é reversível. Primeira coisa que se tem que fazer sempre é autocrítica, mesmo quem tiver indo para o segundo turno à frente. O sr. trabalhou com Caiado. Houve algum erro desse grupo de candidatos que se esvaziou? Era um grupo de direita buscando espaço. Houve uma escolha [de Caiado], mesmo sabendo que o [Romeu] Zema tinha derretido por ter precipitadamente atacado Flávio, de fazer o mesmo, muito mais encantado com o barulho das redes sociais. Para você fazer partir para o ataque, tem que ter um mínimo de reconhecimento no eleitor. Senão você passa a ser visto pelo eleitor de direita, não só bolsonarista, como um inimigo da causa. Houve a decisão estratégica de se fazer essa crítica e de atender aos anseios das redes sociais que gostam de guerra. Só que o eleitor não quer guerra, ele não quer briga. Há um cansaço em relação à briga. Isso começa um pouco antes, onde famílias levantavam da mesa porque faziam oposição uns aos outros, amigos que se separam, grupos de WhatsApp que são desligados. Todos nós sabemos o que é essa polarização radical. Isso levou a uma estafa, porque isso não botou comida no prato de ninguém. Vivemos um período de muitas denúncias contra Flávio Bolsonaro, e o que se fala é que elas não colam nele. Seria esse cansaço? Eu acho que o cansaço ajuda. Essa eleição tinha dois preditores, o STF e o [Daniel] Vorcaro. O assunto Vorcaro se juntou ao STF, e, potencialmente, ficou uma coisa muito maior lá. O que aconteceu debaixo disso foram questões pontuais, umas muito relevantes, outras menos. Falo como homem de comunicação. O STF chupou esse assunto e ele ficou muito maior no STF, com muito mais visibilidade, mais repercussão na mídia do que um contato de A, um telefonema de B, um telefonema de C. O cansaço das pessoas fez com que elas meio que desprezassem esse “trash”. E uma coisa que potencializou foi uma visão de menos compreensão sobre o poder das redes sociais. Na verdade, as redes sociais afastaram a política. Especialmente em época de eleição, é mentira de um lado, mentira do outro. Elas deixaram de ser um canal de comunicação confortável, compreensível para o eleitor. O que funcionou foi o tráfego pago. Aí sim, as redes sociais têm uma potência grande como canal de propaganda. Falar com mulheres que são mães, por exemplo, de crianças autistas. É a capacidade de chegar em públicos muito específicos que só as redes permitem. As redes orgânicas falam para convertido. Ou você tem ele desde antes por causas, ou por fama, ou por outro motivo qualquer, ou não. É um
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