Os ladrões do Brasil


Dilson M. Barreto
Economista

Pobre Pedro Álvares Cabral, tem constantemente levado a culpa pelo alastramento do processo de corrupção no Brasil quando, na verdade, sua responsabilidade restringiu-se apenas a conduzir, em suas caravelas, alguns degredados provavelmente punidos em decorrência de futricas políticas ou de algum crime comum e de uma leva de batedores de carteira cujos procedimentos se tornaram incompatíveis com o regime português, merecendo sua expulsão. Os que pregam estas bobagens, esquecem que em suas caravelas também vinham homens ilustres, inclusive sacerdotes. A mesma coisa se pode dizer quando da transferência da Família Real para o Brasil em 1808. Com ele vieram muitos intelectuais, homens da escrita, inclusive, uma Biblioteca que mais trade vai se transformar na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano instalou-se a primeira Faculdade de Medicina do país, sendo de 1853 a criação da primeira Faculdade de Direito. Havia, portanto, nesse período, um desejo de modernizar o país. Logo, a evolução dos ladrões de colarinho branco não era desse tempo, isto porque os grandes ladrões limitavam-se à apropriação de algumas pepitas de ouro. O aperfeiçoamento da ladroagem em alto estilo deve ser de épocas mais modernas.

É claro que as pequenas propinas para obtenção de certos favores passou a existir a partir do domínio dos políticos quando da consolidação do reinado de Dom João VII e, mais adiante, quando do Império. Raimundo Faoro já denunciava o sistema patrimonialista herdado desde o Brasil Colônia. Todavia, nada considerado alarmante quanto ao que vem acontecendo agora. Claro que o cinismo em se apropriar da coisa pública torna o delinquente um viciado que o leva à descompostura de se sentir culpado com alguma coisa.  O cheiro do dinheiro entorpeceu sua mente e tudo é maravilhoso. Alguém pode até afirmar que a corrupção é como um câncer que pouco a pouco vai se alastrando pelo organismo até apoderar-se do corpo inteiro. Tudo bem. Porém não nesta grande distância. O que é alarmante é o fato de que o Brasil, nestes últimos quinze ou vinte anos, está passando por uma situação inusitada fruto da sede de poder e de dinheiro e da falta de caráter da grande maioria dos nossos políticos e gestores públicos.

O que tem se verificado, conforme denunciam quase diariamente os meios de comunicação, é a forma mais imoral possível como tais políticos e gestores vêm assaltando os cofres públicos afrontando a boa-fé da população que, extasiada, assiste aos noticiários, mesmo com “Lava Jato” e tudo. Nada mais abjeto do que constatar que eles perderam a vergonha e a constância dos roubos se mantém na ordem do dia, numa verdadeira afronta aos órgãos da Justiça que tentam imprimir alguma coisa de moralidade na casa brasileira. Mesmo assim, acreditando sempre na impunidade e na imunidade parlamentar, continuam direta ou indiretamente assaltando o tesouro. O pior e mais deplorável é que, todos eles, sem distinção de pessoa ou partido, persistem no cínico juramento de que são inocentes. Tanto faz a mala de dinheiro do Rocha Lures quanto as malas e caixas de dinheiro do apartamento de Geddel, o cinismo campeia nas faces dos malfeitores. E o que é mais agravante é quando um Juiz ao condenar um desses meliantes, como aconteceu com o ex-governador do Rio de Janeiro, o seu advogado de defesa, em total desprezo à população, afirma que a mesma representa “um atentado ao Estado Democrático de Direito”. Não sei se devo rir ou chorar com tal blasfêmia.

Quanta coisa poderia ser realizada com esse dinheiro subtraído do cidadão brasileiro que, com sacrifício, paga seus impostos esperando um retorno mediante a prestação de serviços como educação e saúde de qualidade, melhoria da infraestrutura viária, aumento da oferta de casas populares, transporte público de qualidade e tantos outros bens e serviços que poderiam ser ofertados pelo governo com esse montante volumoso de recursos financeiros desviados pelos políticos e seus asseclas.  Talvez até fosse possível reduzir o déficit da previdência. O pior é que são esses mesmos cidadãos brasileiros que, num processo de simulação vergonhoso, apresentam-se como futuros candidatos aos diversos cargos legislativos e até mesmo à Presidência da República afrontando a inteligência da população. Proclamam-se publicamente Inocentes, mais honestos que Jesus Cristo, jurando inclusive que nunca suas mãos se sujaram em pegar dinheiro de caixa dois ou do caixa da Odebrecht ou da OAS. É muita Cara de pau para tentar convencer quem sempre viveu enganado pela oferta do pão e do circo que a cada dia lhes é distribuído. E ainda gritam aos quatro cantos que eleição sem a participação de determinado candidato é golpe. Golpe é o crime que estão praticando para com a população brasileira. Tenho certeza, contudo, que este moralismo distorcido dos falsos Messias já começa a enojar o cidadão comum que, tenho certeza, já se cansou de ser enganado.

 

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